Twenty years and still ALIVE

21 set

Antes de começar, é preciso dizer que este post é total e completamente parcial. Não é a jornalista, não é a espectadora. É a fã quem vos escreve.

Fui assistir PJ20, o documentário do Cameron Crowe sobre uma das bandas que considero fundamentais: Pearl Jam. Saí do cinema meio atônita. Foram duas horas de sessão, e quando terminou, virei pro meu namorado e disse: “Ficaria mais três horas assistindo, tranquila”, mas tive que me contentar somente com os créditos – até o último caractere, na esperança de alguma surpresa final.

Verdade seja dita, algumas coisas foram omitidas em PJ20. Mas o essencial estava lá. E foi assistindo aos depoimentos do magnífico Eddie Vedder que tive uma epifania e vi o porquê de eu ter gostado tanto de uma banda desde os 12, 13 anos – eu preciso deixar claro aqui que eu nunca fui tiete de nada nem de ninguém.

"Eddie Vedder, tu é o cara". Raquel Piegas

Eddie Vedder se doa. Em toda e qualquer letra que ele escreve, há muito dele. E ele faz questão de frisar isso durante os depoimentos usados por Cameron Crowe. Obviamente, essa exposição fez que muita gente, desejada e indesejada, soubesse da vida do vocalista. Eu imagino como isso deve ser chato. Em 2008, o Pimenta da Boa era essencialmente pessoal. E era pra foder o cu do palhaço a quantidade de gente que queria satisfações da minha vida. Fiz por merecer, é verdade. Não tenho argumentos contra. Escrevi, estava ali, e que viessem as perguntas. Obviamente, eu não sou uma rockstar. Foi só um desabafo.
Continuando


Mais do que a sonoridade do Pearl Jam e do fato do vocalista ter se pendurado por aí nos shows e se jogado na galera

"Eddie poderia ter se matado várias vezes". Stone Gossard

(representando o que, para muitos é a vontade da juventude se livrar das amarras e, para mim, eram só umas pancas passageiras do Eddie), é impossível não notar nos caras o teor de suas letras. Bato na tecla porque, pra mim, as letras são fundamentais pra eu passar da primeira faixa de um cd, qualquer que seja.
E não tem como não se emocionar com versos feito
“Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn’t I’m a fool you see
No one knows this more than me”

Ou (uma das mais lindas, pra mim)

“I know someday you’ll have a beautiful life, I know you’ll be a star
In somebody else’s sky, but why, why, why
Can’t it be, can’t it be mine”
(Merece video)

Quando o Pearl Jam nasceu, ele poderia muito bem ser rotulado como a carniça do Mother Love Bone. E se ele não foi, deve-se justamente ao Eddie Vedder, sua voz e sua postura – ou a falta dela.

Vocês já repararam no olhar dele quando ele canta? No jeito perturbado com que ele olha pra cima, treme da cabeça aos pés e fica com raiva? E vocês sabiam que esses gestos começaram justamente por ele estar irado diante de uma situação em um show, quando seguranças agrediram um fã diante dele? Eu não sabia. Cameron Crowe me disse isso. E foi ele que disse também, ao fazer a crítica do Pearl Jam Unplugged, na Rolling Stone: “It’s Eddie at his most emotionally naked, literally howling for a woman who left him behind.”

PJ20 mostra que cada um na banda tem o seu mérito. É perceptível, ao longo do documentário, que tudo é feito para que o Pearl Jam se desvincule da imagem do Eddie Vedder. Quem dá mais depoimentos é o guitarrista Stone Gossard. E Cameron mostra como um dos destaques do documentário o célebre dia quando o Pearl Jam – sem o Vedder – tocou com Neil Young. “Vocês conseguem, vocês tem o nível do Eddie”, disse Young.

É fato: o grupo parece que não funcionaria desmembrado. Mas também não funcionaria sem Eddie. Assim como o Mother Love Bone não vingou sem Andy Wood, após sua morte por overdose. Temos aqui, na minha opinião e certamente na das pessoas que foram assitir ao documentário, uma grande banda ainda em atividade. Com um grande frontman, com grandes composições e ainda com tesão.

No aguardo de novembro, então.

Why Go?

Love, Love, Love

25 ago

“Eu vou te fazer feliz. Prometo te amar quando você for pegar água na geladeira, prometo te dar remédio quando você ficar resfriado. Prometo te fazer bem, te deixar surpresas pela casa quando precisar viajar. Prometo pensar em você antes de mim. E se você quiser, penso só em você e não mais em mim…” Acho que foi mais ou menos assim. Na verdade, eu não consigo lembrar com detalhes das palavras, somente da cena, porque chorei bastante. Eu me emociono com coisas de amor, e Dois de Paus é amor do começo ao fim.

Eu realmente faço jus ao meu sobrenome, e sou piegas ao extremo nas relações humanas. Não foi só o diálogo, mas foram também os gestos. Eu me reconheci em cada ato encenado ali no palco. Somente dois atores e um cenários que se dobrava, se montava, se desmontava… tal como os sentimentos da gente.

E foi nos abraços, nas declarações fervorosas de amor e ódio e no desejo de fazer o outro feliz, acima de tudo e de todos – e até da gente mesmo – que eu me reconheci. E por ter me reconhecido, chorei. Dois de Paus toca o espectador, como qualquer peça de teatro muito bem feita e encenada. A gente chora, a gente ri, a gente se excita, a gente se emociona quando o ator nos olha nos olhos.

Dois de Paus fala de relacionamentos. A certa altura do espetáculo, você não percebe que se tratam de dois homens em cena. Você só enxerga ali um casal com dificuldades e com os mimos que você, que eu, que seus pais trocam ou chegaram a trocar um dia com seu parceiro ou parceira. Atores, autor e diretor conseguiram captar os detalhes mais pequenos e comuns de um relacionamento – e que fazem toda a diferença.

É assistindo Dois de Paus que a gente percebe o quanto o amor é um lugar comum e que compartilhamos com centenas de milhares de casais pelo mundo os mesmos costumes, os mesmos anseios, as expectativas e, principalmente, o mesmo medo de não fazer aquela pessoa que está ao seu lado a mais feliz e a mais amada do mundo.

Assistam. Assistam pra chorar, pra pensar, pra viver, pra amar sem vergonha alguma.

Para mais informações, visitem aqui.

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Agradecimentos:

Diretor Paulo Guerra, pelo convite, pela conversa e pelo café!
Lama da vida, minha lamparina do juízo: Ariadne Mustafa, pela companhia e por existir nessa vida linda.

Dedico o texto e as sensações ao Fábio Prina, que tem todo meu amor. Sempre.

À meia-noite, Paris é uma Festa

2 ago

Corey Stoll como Ernest Hemingway (coraçãozinho de mão pra ele)

Quando Ernest Hemingway apareceu no magnífico Midnight in Paris, eu ajeitei os óculos e fiz “ohhhh”. Ali estava um dos escritores mais ébrios e charmosos que o mundo conheceu. E que, como a maioria dos sonhadores (incluindo a que vos escreve), era apaixonado por Paris.

O quão clichê possa soar a minha paixão por Paris, eu não sei. Ela vem desde a pré-adolescencia, quando eu encontrei em um balaio, por R$ 12,90 o livro O sol também se levanta. Eu também queria me refugiar em Paris e ser uma personagem de Hemingway.

O que sei é que o mais recente filme de Woody Allen chamou minha atenção logo de cara, quando vi o cartaz de divulgação, com o belo De sterrennacht ao fundo. O que estragava a cena era o Owen Wilson. Sempre achei ele mediano, tipo “saiu antes do tempo do forno”. Além disso, a boca dele me irrita profundamente.

O fato é que desde a primeira cena, Midnight in Paris é apaixonante. E à medida que grandes nomes como Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Buñuel, Salvador Dalí e Carla Bruni (???) aparecem, a emoção vai aumentando. De alguma maneira, Woody Allen nos insere no longa, fazendo com que o público se sinta dentro de um carro antigo, acompanhado de algum grande gênio com ar boêmio e descompromissado.

Não vá despido ao cinema: Midnight in Paris não é um filme qualquer. Não vá sem saber que, quando o Moulin Rouge aparecer, você provavelmente avistará Toulouse-Lautrec bebendo absinto enquanto rabisca dançarinas de Cancan (outro momento que fiz “oohhh”). Midnight in Paris é uma obra que precisa ser assistida mais de uma vez, porque Allen escreve em entrelinhas, o que torna Paris ainda mais charmosa. Uma hora e meia de filme é pouco para a rica experiência que ele proporciona. Isso, é claro, deixando de lado os clichês existenciais e um romancezinho água com açúcar. Na minha modesta opinião, de uma apaixonada por Paris e por Woody Allen, o filme é perfeito. Deixa com um gosto bom na boca, na mente, no coração.

E nos deixa principalmente assoviando Si tu vois ma mère…

“Tan na nã na nam….”

O (re)surgimento

17 jun

Quem me conhece de longa data (leia-se 20 aninhos), lembra do meu antigo Pimenta da Boa, não é?

Eis que eu ressurjo, depois de anos sem passear pelas bandas dos blogs. Não esperem um conteúdo semelhante. Já estou com 25 anos na cara e as coisas mudaram. Basicamente, vou desenvolver aqui o conteúdo que eu gosto de tweetar, ou “facebookear” pra vocês. Ou seja: vai ter uma caralh*da de coisas que muitos consideram futilidade, mas também vai ter  cultura. Aliás, futilidade também é cultura. Não é porque você é um ser devidamente letrado que vai sair todo mulambento por aí, não é mesmo?

Feitas as apresentações, vamos ao post de hoje. Para começar bem, uma dica de leitura pra curtir nesse frio. Com a proximidade das férias acadêmicas, entre uma farra e outra é aconselhável um bom livro embaixo do edredon. De preferência, uma leitura leve.

O Clube do Filme foi uma sugestão de um grande mestre, cinéfilo como eu e dono de uma personalidade incrível (e fofa). Eduardo Veras me indicou esse livro de David Gilmour em 2010. Vieram confusões, veio o TCC e nada de eu ler a obra. Um dia, passeando pelos supermercados da vida, encontrei o livro em promoção. Decidi comprar. Só fui acabar de ler meses e meses depois (hoje) e fiquei encantada.

David Gilmour e seu garoto-problema

Baseado na história do próprio autor, o livro é o relato de um pai de um adolescente de 15 anos com sérias dificuldades em todas as matérias do ensino médio (mal sabe ele o que é um TCC, mas tudo bem). O garoto se torna um problema e o pai faz uma oferta pro cara: sair da escola, ficar sem trabalhar e sem pagar aluguel. Claro que isso tudo tem um preço: assistir semanalmente a três filmes escolhidos pelo paizão.

O cinema, em sua melhor e em sua pior fase, é discutido semanalmente pelos dois. Os relatos do livro proporcionam um trailer na cabeça de quem já assistiu aos filmes ou pelo menos já ouviu falar. Particularmente, senti falta daquele que pra mim é o cara: Pedro Almodóvar. Mas isso não tira o encanto de O Clube do Filme, que tem uma leitura bem leve, pra fazer enquanto se viaja ou debaixo das cobertas.

Como se não bastasse essa riqueza cinematográfica, o livro trata daquela dorzinha que a gente sente enquanto está crescendo. Os conflitos de pai e filho e os do próprio adolescente são reproduções do que, em alguma fase da vida, algum de nós sentiu.

Além do mais, o livro é baratinho. 😉

Para encerrar, um clichê… porque mulher gostar de “Breakfast at Tiffany’s” é piada pronta. O filme é citado no livro e essa cena é uma das minhas preferidas. Além de ter um dos diálogos mais fofos da história, na minha opinião.

Holly Golightly: I’ll tell you one thing, Fred, darling… I’d marry you for your money in a minute. Would you marry me for my money?
Paul Varjak : In a minute.
Holly Golightly : I guess it’s pretty lucky neither of us is rich, huh?
Paul Varjak : Yeah.